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24 maio, 2010

(Piu)



PiuNão, não deve ser nada este pulsar
de dentro: só um lento desejo
de dançar. E nem deve ter grande
significado este vapor dourado,
e invisível a olhares alheios:
só um pólen a meio, como de abelha
à espera de voar. E não é com certeza
relevante este brilhante aqui:
poeira de diamante que encontrei
pelo verso e por acaso, poema
muito breve e muito raso,
que (aproveitando) trago para ti.


Ana Luísa Amaral

Foto: Florescente. Florianópolis. SC

Floresce todo outono, e desde o princípio os olhos atentos, o sorriso sereno, a humanidade em cada gesto. Hoje celebramos tua vida: doce, rara, verdadeira, generosa, preciosa, più bella del mondo: minha filha!

08 fevereiro, 2010

Minha Senhora de Quê



dona de quê
se na paisagem onde se projectam
pequenas asas deslumbrantes folhas
nem eu me projectei

se os versos apressados
me nascem sempre urgentes:
trabalhos de permeio refeições
doendo a consciência inusitada

dona de mim nem sou
se sintaxes trocadas
o mais das vezes nem minha intenção
se sentidos diversos ocultados
nem do oculto nascem
(poética do Hades quem me dera!)

Dona de nada senhora nem
de mim: imitações de medo
os meus infernos


Ana Luísa Amaral

Foto: Coração florido. Imbé. RS.

patiodotempo.blogspot.com

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"e o mundo é meu, o mundo é seu, de todo mundo..." Zeca Baleiro