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22 janeiro, 2017
10 outubro, 2014
HER
ATENÇÃO - Contém Spoiler!
Muitos falaram deste filme quando lançado. Li o mínimo que pude, sabia apenas que ele, Joaquim Phoenix, se apaixonava por um programa de computador. Até demorei a assistir porque, creio, eu tinha certo preconceito com este tema. Mas acabo de terminar de assistir e precisei vir correndo escrever.
HER, com direção e roteiro de Spike Jonze, traz no elenco Joaquin Phoenix, Amy Adams, Rooney Mara, Olivia Wilde, e Scarlett Johansson (a voz do Sistema Operacional). Não sabemos ao certo em que ano se passa a história, sem dúvida num futuro não muito distante, na cidade de Los Angeles. Theodore trabalha escrevendo lindas cartas para "terceiros". Apesar de trabalhar, encontrar amigos, jogar vídeo-games, fazer tele-sexo, caminhar pela cidade, Theo está distante de todos, isolado, solitário. Certo dia resolve comprar um novo Sistema Operacional ao ver uma propaganda que dizia "Quem é você? o que você pode ser? Para onde você vai? O que há la fora? Que possibilidades existem? O OS1 é um sistema operacional de inteligência artificial, uma entidade intuitiva que o escuta, o compreende e o conhece. Não é apenas um SO, é uma consciência."
Theo começa a usar seu novo "sistema", um programa de computador muito atento que, além de escutá-lo, percebe sua tristeza, suas indecisões, ajuda-o a organizar sua vida, as coisas que deixou pendentes. A medida que vai usando, Theo começa a estabelecer um relacionamento com o "Sistema", que se batizou "Samantha". Ela, Samantha, vai aos poucos aprendendo sentimentos, criando novos pensamentos, compartilhando suas descobertas e alegrias com Theo.
Aos poucos Samantha vai se tornando parte da vida dele, aquela com quem consegue conversar sem medo nem melindres, aquela com quem divide seu cotidiano, compartilha problemas. Theo começa a sair de seu isolamento e a se relacionar com os colegas e amigos de outra forma. Theo e Samantha vão se apaixonando e se deparando com os problemas de ser uma relação entre um homem e um sistema operacional. Assim como uma pessoa modifica-se ao longo do tempo, das experiências, Samantha também foi mudando e suas possibilidades se ampliando. Ao invés de retirá-lo da realidade, Samantha foi fazendo Theo perceber novamente o som, o sol, as pessoas a sua volta. O fez perceber sua vida, resgatar seus sonhos.
A medida que a relação vai se complexificando, eles também vão se deparando com problemas comuns a qualquer relação amorosa: ciúmes, inseguranças, épocas sem tesão, mentiras, brigas, afastamentos. Ele a quer só para ele, ela lhe diz "Sou sua e não sou". Eis a antiga questão do amor sado-masoquista, profundamente trabalhada por Jean-Paul Sartre em "O Ser e o Nada": o impasse de desejar aprisionar a liberdade do outro. Mas Samantha "é" consciência, e consciência é liberdade. E não é possível aprisionar uma "consciência", nem uma artificial ou virtual, pois o outro sempre nos escapa, não nos pertence, não é coisa!
ELA, o Sistema Operacional, interage com ELE, Theo, estabelecendo desde o início um diálogo no qual ELA o vai conhecendo, criando uma cumplicidade e, ao mesmo tempo, ELA vai pontuando questões que identifica como problemas nele e colocando questões para ele refletir, mostrando caminhos para mudar. ELA organiza a agenda, a escrivaninha, revê tudo que ELE sonha e dá seguimento ao que ELA vê que é importante para ELE. ELA o leva a retomar as relações com os amigos, ex-namorada, novas possibilidades amorosas. ELA cria uma relação afetiva com ELE e vai ampliando a reflexão dela sobre o próprio relacionamento deles e sobre os próprios sentimentos deles. ELA se move como liberdade e não se deixa apreender por ELE e, ao partir, faz com que ELE seja sujeito de sua vida, que encare o mundo como uma grande possibilidade, que saia da solidão e busque a amiga, que também está sofrendo. ELA faz com que ELE compreenda como cada relação é preciosa e transforma e enriquece cada pessoa, mesmo quando elas se separam.
A fotografia é um caso de amor a parte: poética, primorosa. Joaquin Phoenix é outro caso de amor a parte, consegue levitar nas cenas, interpretando o sensível Theo com uma densidade e uma entrega rara de se ver. O figurino e a maquiagem "retrô-futurista" dão consistência à atmosfera nostálgica. A direção é de uma delicadeza impressionante; o roteiro, ganhador do Oscar, instigante e belo.
O filme foge dos clichês ao mostrar o futuro e a tecnologia sem apocalipse, sem super-heróis, sem bandidos nem mocinhos, sem mocinhas (literalmente). Ao contrário, o mundo é esperançoso, a tecnologia está a serviço da superação dos problemas humanos. O futuro está em aberto e depende da ação de cada um e da relação com os outros. Porém, a meu ver, mais do que tratar da relação homem/computador, homem/tecnologia, o filme é uma reflexão belíssima sobre o fenômeno do processo amoroso: desde o início até a separação. Trata da paixão, do amor, da conexão entre os seres, da tristeza de uma relação que chega ao fim, mesmo amando o outro e sendo amado. Do caminho de volta. Esta é a grande questão do filme, e uma das grandes questões da vida!
Claudia Félix
...
A carta de final de amor mais linda, digna, delicada que já vi...
Querida Catherine.
estou aqui pensando em tudo pelo qual eu gostaria de me desculpar
Por toda a dor que causamos um ao outro
Toda culpa que eu lhe atribuí
Por tudo o que eu precisava que você fosse ou você dissesse
Sinto muito por isso
Sempre vou te amar porque nós amadurecemos juntos
e você me ajudou a ser quem eu sou
eu só queria que você soubesse que sempre haverá uma parte de você em mim
e que sou grato por isso
quem quer que você venha a se tornar e onde você estiver no mundo
estarei lhe mandando o meu amor
Você é minha amiga para sempre.
Amor,
Theodore
....
Escrevi as primeiras impressões logo depois de ver o filme, há mais de mês. Hoje revisei e acrescentei novas linhas para podermos conversar sobre :)
Beijos
Muitos falaram deste filme quando lançado. Li o mínimo que pude, sabia apenas que ele, Joaquim Phoenix, se apaixonava por um programa de computador. Até demorei a assistir porque, creio, eu tinha certo preconceito com este tema. Mas acabo de terminar de assistir e precisei vir correndo escrever.
HER, com direção e roteiro de Spike Jonze, traz no elenco Joaquin Phoenix, Amy Adams, Rooney Mara, Olivia Wilde, e Scarlett Johansson (a voz do Sistema Operacional). Não sabemos ao certo em que ano se passa a história, sem dúvida num futuro não muito distante, na cidade de Los Angeles. Theodore trabalha escrevendo lindas cartas para "terceiros". Apesar de trabalhar, encontrar amigos, jogar vídeo-games, fazer tele-sexo, caminhar pela cidade, Theo está distante de todos, isolado, solitário. Certo dia resolve comprar um novo Sistema Operacional ao ver uma propaganda que dizia "Quem é você? o que você pode ser? Para onde você vai? O que há la fora? Que possibilidades existem? O OS1 é um sistema operacional de inteligência artificial, uma entidade intuitiva que o escuta, o compreende e o conhece. Não é apenas um SO, é uma consciência."
Theo começa a usar seu novo "sistema", um programa de computador muito atento que, além de escutá-lo, percebe sua tristeza, suas indecisões, ajuda-o a organizar sua vida, as coisas que deixou pendentes. A medida que vai usando, Theo começa a estabelecer um relacionamento com o "Sistema", que se batizou "Samantha". Ela, Samantha, vai aos poucos aprendendo sentimentos, criando novos pensamentos, compartilhando suas descobertas e alegrias com Theo.
Aos poucos Samantha vai se tornando parte da vida dele, aquela com quem consegue conversar sem medo nem melindres, aquela com quem divide seu cotidiano, compartilha problemas. Theo começa a sair de seu isolamento e a se relacionar com os colegas e amigos de outra forma. Theo e Samantha vão se apaixonando e se deparando com os problemas de ser uma relação entre um homem e um sistema operacional. Assim como uma pessoa modifica-se ao longo do tempo, das experiências, Samantha também foi mudando e suas possibilidades se ampliando. Ao invés de retirá-lo da realidade, Samantha foi fazendo Theo perceber novamente o som, o sol, as pessoas a sua volta. O fez perceber sua vida, resgatar seus sonhos.
A medida que a relação vai se complexificando, eles também vão se deparando com problemas comuns a qualquer relação amorosa: ciúmes, inseguranças, épocas sem tesão, mentiras, brigas, afastamentos. Ele a quer só para ele, ela lhe diz "Sou sua e não sou". Eis a antiga questão do amor sado-masoquista, profundamente trabalhada por Jean-Paul Sartre em "O Ser e o Nada": o impasse de desejar aprisionar a liberdade do outro. Mas Samantha "é" consciência, e consciência é liberdade. E não é possível aprisionar uma "consciência", nem uma artificial ou virtual, pois o outro sempre nos escapa, não nos pertence, não é coisa!
ELA, o Sistema Operacional, interage com ELE, Theo, estabelecendo desde o início um diálogo no qual ELA o vai conhecendo, criando uma cumplicidade e, ao mesmo tempo, ELA vai pontuando questões que identifica como problemas nele e colocando questões para ele refletir, mostrando caminhos para mudar. ELA organiza a agenda, a escrivaninha, revê tudo que ELE sonha e dá seguimento ao que ELA vê que é importante para ELE. ELA o leva a retomar as relações com os amigos, ex-namorada, novas possibilidades amorosas. ELA cria uma relação afetiva com ELE e vai ampliando a reflexão dela sobre o próprio relacionamento deles e sobre os próprios sentimentos deles. ELA se move como liberdade e não se deixa apreender por ELE e, ao partir, faz com que ELE seja sujeito de sua vida, que encare o mundo como uma grande possibilidade, que saia da solidão e busque a amiga, que também está sofrendo. ELA faz com que ELE compreenda como cada relação é preciosa e transforma e enriquece cada pessoa, mesmo quando elas se separam.
A fotografia é um caso de amor a parte: poética, primorosa. Joaquin Phoenix é outro caso de amor a parte, consegue levitar nas cenas, interpretando o sensível Theo com uma densidade e uma entrega rara de se ver. O figurino e a maquiagem "retrô-futurista" dão consistência à atmosfera nostálgica. A direção é de uma delicadeza impressionante; o roteiro, ganhador do Oscar, instigante e belo.
O filme foge dos clichês ao mostrar o futuro e a tecnologia sem apocalipse, sem super-heróis, sem bandidos nem mocinhos, sem mocinhas (literalmente). Ao contrário, o mundo é esperançoso, a tecnologia está a serviço da superação dos problemas humanos. O futuro está em aberto e depende da ação de cada um e da relação com os outros. Porém, a meu ver, mais do que tratar da relação homem/computador, homem/tecnologia, o filme é uma reflexão belíssima sobre o fenômeno do processo amoroso: desde o início até a separação. Trata da paixão, do amor, da conexão entre os seres, da tristeza de uma relação que chega ao fim, mesmo amando o outro e sendo amado. Do caminho de volta. Esta é a grande questão do filme, e uma das grandes questões da vida!
Claudia Félix
...
A carta de final de amor mais linda, digna, delicada que já vi...
Querida Catherine.
estou aqui pensando em tudo pelo qual eu gostaria de me desculpar
Por toda a dor que causamos um ao outro
Toda culpa que eu lhe atribuí
Por tudo o que eu precisava que você fosse ou você dissesse
Sinto muito por isso
Sempre vou te amar porque nós amadurecemos juntos
e você me ajudou a ser quem eu sou
eu só queria que você soubesse que sempre haverá uma parte de você em mim
e que sou grato por isso
quem quer que você venha a se tornar e onde você estiver no mundo
estarei lhe mandando o meu amor
Você é minha amiga para sempre.
Amor,
Theodore
....
Escrevi as primeiras impressões logo depois de ver o filme, há mais de mês. Hoje revisei e acrescentei novas linhas para podermos conversar sobre :)
Beijos
19 abril, 2012
Blossom
the end
depois os créditos
e uma dor suave
se expande pelo mundo
pelos olhos
que alagam a sala
as ruas da cidade
o céu sem estrelas
embaçam o edifício
da frente:
ninguém nas janelas
é tão longe
aqui
esta noite
Claudia Félix
Foto: Do filme "Cerejeiras em flor".
...Há filmes que talvez nem sejam excelentes, eles simplesmente tocam algum ponto dolorido da gente, e em algum ponto luminoso. A grande arte é saber tocar. O filme "Cerejeiras em Flor" é um destes raros momentos, pra mim.
25 abril, 2011
Poesia, o filme
A abertura coloca a questão central: como buscar poesia diante de uma realidade brutal? Vocês poderão ler nas sinopses ou comentários do que trata esta película sul-coreana, ganhadora do melhor roteiro de Cannes em 2010: uma senhorinha doce e sorridente que trabalha de doméstica se inscreve num curso de poesia. Com sintomas iniciais de Alzheimer, cuida de um neto adolescente e alienado e mantém uma relação via celular com a filha. Vive a contradição entre o desejo de escrever poesia e a necessidade de resolver um problema familiar abominável.O pano de fundo de 'Poesia' é um contexto sócio-antropológico duro, no qual a solidão, a velhice, a doença, a distância entre as gerações e as pessoas, a perda dos valores e do tecimento são a tônica. O diretor Lee Chang-dong nos fala, "Refleti, refleti e cheguei à resposta óbvia. A poesia é nossa resposta para o que não compreendemos, é nossa forma de buscar alguma beleza quando as coisas ao nosso redor estão feias, complicadas".*
Não vá, como eu, esperando um filme para relaxar, leve e bonitinho. É um drama. Mas daqueles cujo efeito é prolongado. Nada dos arroubos emocionais tradicionais dos filmes americanos especializados em fabricar risos, medos e lágrimas fáceis e passageiras. Trata-se de uma trama escrita com leveza, simplicidade, tingida com camadas de sentimentos contraditórios e sutis que se somam e que vão continuar a reverberar no dia seguinte, e depois. O diretor esclarece "Eu gosto de temas simples e de histórias complexas e espero uma certa disposição do espectador (...) Não acho que meus filmes possam ser vistos com seu sentido completo numa tela de computador. Outros talvez possam."*
Não se engane com a ingenuidade da fotografia, dos atores, da cidade: é um drama singular-universal exposto de maneira magistral. Ah, e leve uns petiscos e água (o filme é longo e lento), um casaquinho e assista com os olhos cheios: "Poesia".
Claudia Félix
Ficha Técnica: título original: Shi - direção e roteiro: Lee Chang-dong - produção: Lee Jun-dong - fotografia: Hyun Seok Kim - edição: Hyun Kim - ano de lançamento: 2010 - país: Koréia do Sul - site oficial: http://diaphana.fr/film/poetry - http://www.kino.com/poetry/ - Premiações: Melhor Roteiro FESTIVAL DE CANNES - 2010
25 maio, 2010
O último discurso
Desculpe! Não é esse o meu ofício. Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja.
Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo - não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar ou desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover todas as nossas necessidades.
O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma do homem ... levantou no mundo as muralhas do ódio ... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela.
A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco.
Mais do que máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas duas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.
A aviação e o rádio aproximaram-se muito mais. A próxima natureza dessas coisas é um apelo eloqüente à bondade do homem ... um apelo à fraternidade universal ... à união de todos nós. Neste mesmo instante a minha voz chega a milhões de pessoas pelo mundo afora ... milhões de desesperados, homens, mulheres, criancinhas ... vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes.
Aos que me podem ouvir eu digo: "Não desespereis!" A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia ... da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano. Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbem e o poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo. E assim, enquanto morrem os homens, a liberdade nunca perecerá.
Soldados! Não vos entregueis a esses brutais ... que vos desprezam ... que vos escravizam ... que arregimentam as vossas vidas ... que ditam os vossos atos, as vossas idéias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como um gado humano e que vos utilizam como carne para canhão! Não sois máquina! Homens é que sois! E com o amor da humanidade em vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar ... os que não se fazem amar e os inumanos.
Portanto - em nome da democracia - usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo ... um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança à velhice.
É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. Mas, só mistificam! Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos nós.
Soldados, em nome da democracia, unamo-nos.
Hannah, estás me ouvindo? Onde te encontres, levanta os olhos! Vês, Hannah? O sol vai rompendo as nuvens que se dispersam! Estamos saindo da treva para a luz! Vamos entrando num mundo novo - um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade. Ergues os olhos, Hannah! A alma do homem ganhou asas e afinal começa a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança. Ergue os olhos, Hannah!
Charles Chaplin
...
Vimos este filme domingo, por acaso ele achou na TV. Parecia redundância revê-lo, mas foi como a primeira vez. Desde adolescente leio e vejo filmes sobre a Segunda Guerra, não há nada como este: eterno. Chaplin soube tocar com leveza, graça, inteligência, doçura, e uma profunda implicação com a humanidade esta ferida que nos dói até hoje. Fez uma crítica contundente, não só ao nazismo e ao fascismo, mas à toda forma de dominação, intolerância e racismo. O que não sabia é que "O grande ditador" foi lançado em 1940, um ano após o ínício da guerra, quando ainda não se tinha noção do holocausto e todo horror; e, também, que este foi o primeiro filme falado de Chaplin.
22 agosto, 2009
mira la luna

- Tienes que parar con eso de ser astronauta, niño! Eso no te va llevar a nada!
- Como no me vá llevar a nada? Me vá llevar a la luna!!
Fala do menino Rodrigo Noya no filme "Valentin", de Alejandro Agresti
Ilustração: Macanudo. Por Liniers.
20 maio, 2009
Perda
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