Mostrando postagens com marcador Miren Agur Meabe. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Miren Agur Meabe. Mostrar todas as postagens

15 maio, 2014

Algum dia direi:




Algum dia direi:
"Antes lhes cantava os altos e baixos do coração,
mas acabaram por aborrecer-me.
Agora prefiro observar como crescem os cogumelos".

E meu caderno me olhará boquiaberto,
sem saber o que fazer, se rir ou chorar.




© Miren Agur Meabe


Algún día diré:
"Antes les cantaba a los altibajos del corazón,
pero acabaron por aburrirme.
Ahora prefiero observar cómo crecen los hongos".

Y mi cuaderno me mirará boquiabierto,
sin saber qué hacer, si reír o llorar.



  

23 setembro, 2013

Notas para conservar la memoria 1


No puedo encerrarte:
eres la calle llena de gorriones y de locos.
No puedo ordenarte:
eres un amasijo oscuro de humedad lasciva.
No puedo alcanzarte:
eres el caballo que galopa sin destino.
No puedo amarte:
eres el saco de los miedos de la gente de bien.
No puedo pensarte:
eres la idea que me tiraniza en el insomnio.
Sin embargo, te puedo conocer:
eres como yo, con otra piel.


Miren Agur Meabe



Foto: Outra pele. Saint-Genix-sur-Guiers. França.

17 julho, 2012

Diagnóstico

Para o jovem corvo


Esta enfermidade é degenerativa.

Consiste em destruir os tecidos comunicativos:
em contrair a pele
(perdendo a sensibilidade às carícias),
em reduzir o foco visual
(limitando-o ao espaço do livro que lemos).
Nos fatiga inclusive falar

e cada vez que pronunciamos um som,
nasce equipado de longos pseudópodes cinzas
e sai flutuando na salinha,
como se esse fora seu destino:
ser uma ameba estranha que ignora a hora de 
deitar-se.

Nos afeta o ouvido, surdos no
bunker.
As papilas e a língua já estão paralisadas.
O nariz se converte em antena
e percebemos num instante
a chamusquinha de um queijo ou o enjoativo
de um suspiro.

Diagnóstico:
câncer cíclico de silêncio.
Período de incubação:
os períodos acumulados sem praticar paciência.
Recaídas (a não ser que a ciência do perdão
descubra outras soluções):
tantos quantos fracassos de um junto ao outro.
Tratamento profilático:
uma cena em um bonito restaurante de quando em
quando,
e cada manhã
um pensamento alegre ao dizer "bom dia".


Miren Agur Meabe


Foto: Da janela. Florianópolis. SC.
* tradução livre de Claudia Félix

15 julho, 2012

O cenário de meu silêncio é de papel




O cenário de meu silêncio é de papel.
Então eu vejo bocas hostis rindo na parte de trás.
Às vezes, quando a folha aparenta um pentagrama,
rabisco notas,
observações afogadas entre interrogações,
chamadas de relógios que uivam
como um cão em um cemitério abandonado,
mensagens imprevistas nas janelas,
definições dos mais comuns sentimentos
vozes em off...
notas gerais.


Miren Agur Meabe



Foto: Do tempo. Imbé, RS.
. . .
* Tradução livre do poema em espanhol do livro "El codigo de la piel"

09 abril, 2012

Breves notas (1)




Ontem queimei um lençol,
com o ferro,
fiz isso sozinha,
gravei-lhe um colorido triângulo torrado
graças à televisão.
Tenho sempre a televisão pequena na cozinha
enquanto passo a ferro:
uma criança negra numa guerra
mamava ao peito de sua mãe morta.
Senti que tinha engolido uma bola de pêlo.
Não irei esquecer isso:
o leite gotejou para dentro do meu peito.


Miren Agur Meabe

Foto: Sebastião Salgado.
. . .

O mundo é muito maior que nossa ilha... 





19 novembro, 2011

Interrogatorio




Dónde están los latidos ebrios
que íbamos a cosechar de toda nuestra euforia.
Dónde el hogar ambulante
que íbamos a construir con madera de naves.
Dónde está la patria nueva
que pensamos decorar con rayas de tigre.
Dónde los paisajes soñados
que conquistaríamos pellizcando al pasado.
Dónde quedó el reloj de nuestro primer lecho.
Dónde perdimos el agua del misterio,
Aquella que servía para bendecir las utopías.
Dónde guardaste la maleta de la imaginación.
Qué hay ahora dentro.



Miren Agur Meabe
Foto: Dos tempos. Salto das Águas. SC.



11 novembro, 2011

Cuando nos conocimos





Cuando nos conocimos
se le cayó el tapón al tintero de la vida.
Nos nació de piel a piel un cordón de deseo
y echamos a andar,a veces uno junto al otro,
al paso, a veces girando en el universo,
invertidos, a veces frente a frente,
inmóviles.
Así escribimos entre ambos,
con nuestras simples huellas,
un largo libro,
un libro original con sus errores y aciertos.




Miren Agur Meabe
Foto: Do desejo-de-ser. Costa da Lagoa. Florianópolis.

patiodotempo.blogspot.com

patiodotempo.blogspot.com
"e o mundo é meu, o mundo é seu, de todo mundo..." Zeca Baleiro